Time grande não cai?

São Paulo e Fluminense lutam em 2017 para não repetir fracassos de outros gigantes do futebol brasileiro

Francisco Assis
Redação SP

A vitória do último sábado (28) foi um passo e tanto para o fim do martírio são paulino para escapar do inédito rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Mas não é apenas o time paulista que ainda vê riscos. Outro tricolor, recordista em quedas no nacional, está há quatro pontos da degola.

Para o São Paulo, o (ainda) possível rebaixamento tem um significado maior que a queda de um grande. O tricampeão mundial faz parte de um seleto clube brasileiro de equipes que nunca foram rebaixadas.

Se para os grandes Cruzeiro, Flamengo, Santos a imunidade segue intacta (pelo menos para 2017), o mesmo não é possível afirmar com certeza para os torcedores do Morumbi, devido ao flerte tricolor com a Série B desde o início da competição.

Já para o Fluminense, não há como o torcedor esquecer a sequência de rebaixamentos nos anos 90, quando o time foi parar na terceira divisão.

Enquanto uns torcem para que o time escape do vexame inédito, outros esfregam as mãos com a chance de ver o rival entre os vinte times da Segunda Divisão, assim como aconteceu com outros grandes do Brasil.

Taça de Prata é Segundona?

No pais da CBF, a desorganização do futebol já fez times como Corinthians e Palmeiras disputarem a antiga “Taça de Prata”, denominação dada à Segundona no início dos anos 80. Era a retomada da disputa de acesso, após sete anos. Na época, os campeonatos estaduais foram transformados em classificatórios para a disputa nacional. Assim, em 1981, o Palmeiras chegou a disputar a competição, repetindo a dose em 1982 ao lado do arquirrival Corinthians.

A desorganização era tão grande que um sistema de acesso intermediário fez com que o Verdão e o Timão conquistassem a vaga para participar da primeira divisão no mesmo ano (!!!).

Em 1986, outra bizarrice. O Botafogo ficou entre os clubes da zona de rebaixamento do nacional, mas foi salvo pela criação do (já extinto) Clube dos 13, formado pelos maiores clubes do país e que organizou no ano seguinte a Copa União, formada por vinte equipes, entre eles, o próprio Botafogo.

Com uma situação um pouco mais estabelecida, os anos 90 trouxeram os primeiros rebaixamentos de fato entre os grandes clubes brasileiros.

Grêmio 1991

Depois de dominar o Gauchão na segunda metade dos anos 80, a década seguinte começou da pior maneira possível para o Imortal. Em 1991, o time do técnico Dino Sani começou a competição como um dos favoritos, mas acabou na 19ª e penúltima colocação.

Além da tristeza pela queda, o tiro de misericórdia teve uma curiosidade a mais para o torcedor gremista na última rodada, quando os gaúchos foram derrotados pelo Botafogo, no acanhado estádio Caio Martins, em Niterói. A equipe carioca venceu a partida por 3 a 1 contando com ídolos do Grêmio.

 

 

No banco de reservas o técnico Valdyr Espinosa, que entrou para a história do Grêmio ao comandar o time campeão mundial sobre o Hamburgo da Alemanha, assim como o zagueiro Hugo de León e o lateral Paulo Roberto.

Rebaixado, o Gremio voltaria a disputar a primeira divisão em 1993, após mudança no regulamento da Série B, em 1992 (durante a disputa). A CBF decidiu saltar o acesso de 2 para 12 times que conseguiriam o acesso.

 

Fluminense 1996 (com a virada)

Depois de uma campanha fraca (cinco vitórias, quatro empates e 13 derrotas), o Flu foi para o estádio Engenheiro Araripe, no Espírito Santo, precisando bater o Vitória. Conseguiu. Com Renato Gaúcho estreando como técnico, o Tricolor venceu os baianos por 3 a 1, mas acabaram rebaixados devido a vitória dos adversários na luta contra o descenso.

 

 

Mas se dentro de campo o time não mostrou o futebol capaz de salvar o clube da queda, fora dele, os advogados tricolor deram a primeira mostra do que eram capazes.

Com a denúncia da negociação de resultados batizada de “Caso Ivens Mendes (ex-presidente da comissão de arbitragem da CBF acusado de acertar resultados com Atlético-PR e Corinthians, o jurídico tricolor conseguiu um salvo conduto da CBF, que anulou o rebaixamento no Brasileirão de 1996, salvando o Tricolor e o Bragantino.

Presidente do Fluminense entre 1996 e 1998, Álvaro Barcelos comemora virada de mesa com champanhe Foto: Reprodução Frederico Rozário

 

Fluminense 1997

Se a CBF tirou o time da Série B no ano anterior, o baixo nível do elenco do Fluminense pesou e a equipe carioca deu mais um vexame em 97. Com uma sequência de fracassos, a equipe do técnico Arturzinho chegou à penúltima rodada com apenas 21 pontos para encarar Juventude. O empate em 1 a 1, ao lado das vitórias do Corinthians sobre o Flamengo e do Guarani sobre o União São João de Araras, definiu o segundo rebaixamento do Flu, que ainda se despediu da competição de forma melancólica, derrota na Rua Bariri (Campo do Olaria) para o Grêmio por 0 a 2.

 

 

Fluminense 1998

Se os dois anos foram de vergonha para o torcedor tricolor, 1998 foi de esquecer. A disputa da Segunda Divisão foi um terror para os cariocas. Com estrutura precária e uma desorganização nos bastidores, as coisas desandaram dentro de campo. Na última partida, empate em 1 a 1 com o Joinville e o Flu conseguiu a façanha de ser rebaixado para a Série C nacional com apenas duas vitórias, cinco empates e três derrotas.

 

 

Palmeiras e Botafogo 2002

No ano em que o torcedor comemorou o pentacampeonato, palmeirenses e botafoguenses acabaram o ano aos prantos. Com campanhas pífias, a dupla foi rebaixada ao de Portuguesa e Gama.

 

 

Com seis vitórias em 25 partidas, o Palmeiras, que contava com o goleiro da Seleção Brasileira Marcos (Sérgio foi o titular em boa parte dos jogos), o lateral paraguaio Arce e o volante tetracampeão Zinho, conheceu o gosto do descenso após derrota em Salvador para o Vitória por 4 a 3.

Já o Fogão caiu após derrota no Caio Martins por 0 a 1 para o São Paulo, que fez a melhor campanha na primeira fase. A dupla voltou à elite no ano seguinte, mas amargaria novas decepções em Brasileirões futuros.

 

 

Grêmio 2004

Depois de “inaugurar” a sina de fracassos entre os grandes do país em 1991, o Tricolor Gaúcho fez a pior campanha no Brasileirão de 2004, com apenas nove vitórias e 25 derrotas em 46 jogos e foi rebaixado com três rodadas de antecedência, após empate em 3 a 3 com o Atlético PR, no antigo Olímpico. No elenco, jovens promessas como o meia-atacante Anderson (herói no acesso em 2005) e o volante Felipe Melo.

 

Atlético Mineiro 2005

Com 21 derrotas em 42 partidas, o Galo penou no Campeonato Brasileiro de 2005. Campeão nacional em 1971, o Atlético, que tinha no gol o multicampeão Danrlei e no banco de reservas o hoje aclamado técnico Tite, caiu após empate sem gols com o Vasco da Gama, no Mineirão, na penúltima rodada.

 

 

Corinthians 2007

O rebaixamento corintiano para a Série B do Brasileirão foi acompanhado de uma série de resultados catastróficos. Sem nenhuma vitória nas últimas cinco partidas, o Timão caiu após empate em 1 a 1 com o Grêmio, no Olímpico. Com Nelsinho Batista no comando, nem mesmo a presença de ídolos como Vampeta conseguiram impedir o fraco elenco (Fábio Ferreira, Zelão, Carlos Alberto, Bruno Octávio, Moradei, Clodoaldo…)

 

 

Vasco 2008

O time cruzmaltino foi o 18º colocado no Campeonato Brasileiro de 2008 e acabou rebaixado pela primeira vez em sua história (outras duas quedas aterrorizariam a torcida no futuro). A campanha daquele ano, quando o time contava com jogadores como Odvan, Leandro Amaral e Edmundo, foi encerrada com uma derrota para o Vitória por 2 a 0, em pleno São Januário.

 

 

Vasco 2013

A goleada de 5 a 1 para o Atlético-PR na última rodada foi o espelho do que foi a campanha vascaína em 2013. Cinco anos após o primeiro vexame, a equipe carioca fechava aquele Campeonato Brasileiro na mesma 18ª colocação e voltava à Série B. Com Fagner (hoje dono da lateral corintiana e selecionável), Cris e Marlone, o time comandado por Adílson Batista ainda viu o rival Fluminense se livrar do rebaixamento nos tribunais (de novo) após denúncia de escalação irregular da Portuguesa, que acabou na Série B.

 

 

2014 Botafogo

Com Vagner Mancini como treinador, o Botafogo não conseguiu impedir seu segundo rebaixamento, concretizado na derrota para o Santos por 2 a 0 na Vila Belmiro, com uma rodada de antecedência. Entre os jogadores que entraram em campo pelo time da estrela solitária, o ídolo Jefferson, que segue no clube. Na campanha do rebaixamento, nove vitórias, 22 derrotas e a decepcionante 19ª colocação.

 

 

Vasco 2015

O relacionamento Vascaíno com o rebaixamento chegou ao ápice no Campeonato Brasileiro de 2015, quando o time caiu pela terceira vez para a Série B. O empate em 0 a 0 pareceria até nota de uma campanha que teve 17 derrotas e 26 gols negativos de saldo. Em campo, o goleiro Martin Silva, o zagueiro Luan, o meia Nenê e o técnico Jorginho não conseguiram impedir o fracasso.

 

 

Internacional 2016

Um dos clubes mais vencedores no futebol brasileiro nas últimas décadas decepcionou o torcedor com uma campanha mais que fraca (17 derrotas em 38 jogos). Nem mesmo o novo Beira Rio foi uma arma suficiente para impedir o rebaixamento inédito, assim como o forte elenco que contava com Danilo Fernandes, Paulão, Valdívia, Nico López, Alex e Vitinho. Na última rodada, empate em 1 a 1 com o Fluminense e a certeza de trabalho duro em 2017.

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